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Aníbal Pinto constituído arguido

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Aníbal Pinto, antigo advogado de Rui Pinto, foi constituído arguido no âmbito do ‘Caso Doyen’, estando acusado de ter atuado em coautoria com o alegado hacker na tentativa de extorsão ao fundo de investimento maltês, segundo adianta o Jornal de Notícias. Segundo aquele diário, o causídico foi ouvido esta quinta-feira no Departamento de Investigação e Ação Penal do Ministério Público de Lisboa, numa sessão na qual apresentou a sua versão dos factos.

Na base da acusação está a tentativa de extorsão à Doyen Sports em 2015, na qual Rui Pinto terá pedido um milhão de euros ao fundo maltês como compensação para não divulgar os segredos que teria em sua posse. A propósito dessa situação, refira-se, o advogado em várias ocasiões referiu ter aconselhado o seu antigo cliente a desistir dessa intenção, ao passo que o próprio Rui Pinto fala nesse episódio como uma “brincadeira”.

“É um assunto já do domínio público e sobre o qual já correu muita tinta. Porém, estou sujeito ao sigilo profissional pelo Estatuto da Ordem dos Advogados, que tem força de lei, sendo que esta situação é o timbre de ouro da advocacia. Na qualidade de advogado nunca poderia prejudicar um cliente que confiou em mim.

Sempre que tenho conhecimento de que um cliente pode estar a prevaricar, faço aquilo que a lei me impõe: abandono as negociações, dou conhecimento à parte contrária e aconselho o cliente a não violar a lei. Esta situação aplica-se a todo e qualquer cliente”, disse Aníbal Pinto ao referido jornal, confirmando a diligência.

No passado dia 22, a juíza de instrução criminal Maria Antónia Andrade aplicou a medida de coação mais gravosa prevista na lei a Rui Pinto, por considerar existir o perigo concreto de continuação de atividade criminosa, perturbação do inquérito e perigo de fuga.

Rui Pinto, que foi detido na Hungria e chegou a Portugal na quinta-feira, com base num mandado de detenção europeu emitido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), foi indiciado pela prática de quatro crimes: acesso ilegítimo, violação de segredo, ofensa à pessoa coletiva e extorsão na forma tentada.

Na base do mandado estão acessos ilegais aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimento Doyen Sports e posterior divulgação de documentos confidenciais, como contratos de futebolistas do clube lisboeta e do então treinador Jorge Jesus, além de outros contratos celebrados entre a Doyen e vários clubes de futebol.

O colaborador do Football Leaks terá entrado, em setembro de 2015, no sistema informático da Doyen Sports, com sede em Malta, e é também suspeito de aceder ao endereço de correio eletrónico de membros do Conselho de Administração e do departamento jurídico do Sporting e, consequentemente, ao sistema informático da SAD “leonina”.

No período em que esteve detido na Hungria, Rui Pinto assumiu ser uma das fontes do Football Leaks, plataforma digital que tem denunciado casos de corrupção e fraude fiscal no universo do futebol, no âmbito dos quais estava a colaborar com autoridades de outros países, nomeadamente, França e Bélgica.

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